Hotel gaúcho é referência em sustentabilidade

Destacado pela Associação Brasileira de Operadoras de Turismo (Braztoa) com o prêmio Top Sustentabilidade 2016/2017, um hotel gaúcho chamou a atenção entre cerca de 50 negócios inscritos em diferentes categorias. Inaugurado em 2009, o Cambará Eco Hotel foi planejado, desde a obra, para aproveitar recurso energéticos, hídricos e de material. Mas foi a gestão desse conjunto de ações, somada ao aprimoramento constante do foco sustentável, que fez o empreendimento se sobressair. O prêmio leva em conta um tripé de sustentabilidade, que vai além da preservação da natureza. “Avaliamos o olhar ambiental, mas também o sociocultural e o econômico, além do fato de a gestão do hotel estar se aprimorando ano a ano. Percebemos esse empenho em evoluir, porque não é a primeira vez que participam da seleção e, a cada inscrição, nos trazem novidades sustentáveis bastante interessantes”, elogia a CEO da Braztoa, Monica Samia. Em linhas gerais, o hotel faz o máximo uso possível da iluminação solar, desde a posição em que o empreendimento foi construído até a opção de grandes janelas de vidro para receber melhor esse recurso natural, passando pelo uso do calor do sol para aquecimento da água. Neste ano, a meta é implantar painéis de captação de energia solar, o que deve exigir R$ 200 mil em investimentos. O empreendimento faz captação da chuva e tem encanamento específico para fazer a distribuição do recurso para lavanderia e vasos sanitários, por exemplo. Além disso, conta com dois tanques de tratamento anaeróbico. “O projeto sustentável teve um custo de obra cerca de 30% maior do que uma construção convencional, mas o uso racional dos recursos já pagou esse excedente. A maior dificuldade que tivemos, na verdade, foi ter de convencer os arquitetos e engenheiros responsáveis a fazer o que queríamos. Em vários momentos, eles tentam nos convencer a fazer uma obra convencional”, comenta o sócio-proprietário e responsável pela área de marketing do hotel, Emiliano Brugnera, formado pela escola de hotelaria do Senac. Além das ações mais tradicionalmente relacionadas com a sustentabilidade, a gestão do Cambará Eco Hotel se tornou referência para a Braztoa pelo cunho socioeconômico. A gestão prioriza compras locais, dos alimentos ao material de decoração, e abre espaço, junto ao restaurante, para um “shopping rural”, onde comercializa mercadorias de pequenas agroindústrias ou produções artesanais mesmo. “Buscamos de produtos da cidade, ou o mais perto possível, tudo o que vamos oferecer no café da manhã, por exemplo. Se não há o que precisamos por perto, a próxima opção é a região e, depois, o Estado. Suco de uva, por exemplo, até poderia sair mais barato comprar de São Paulo, mas optamos por fabricantes do nosso entorno”, explica Brugnera. Professor do curso de Hotelaria da Faculdade Senac e ex-professor do empresário, Luis Patrucco ressalta que, apesar do momento favorável, um empreendimento pode enfrentar rejeição à sua forma de trabalho voltada para esse foco. “Recentemente, uma grande rede hoteleira, que não trocava lençóis e toalhas diariamente como forma de reduzir consumo de água, teve de retirar os avisos sobre sua ação salutar, porque muitos clientes reclamavam do fato e até brigavam por desconto por sujar menos peças. Então, sustentabilidade é uma construção feita pelo hoteleiro, pelos funcionários e também pelos turistas”, avalia Patrucco. A diária para casal custa, em média, R$ 350,00. Ação premiado e gestão reconhecida Recursos hídricos Conta com tratamento de esgoto em duas centrais própria Captação de água da chuva por meio de cisternas para uso na lavanderia, jardinagem e banheiros. Os chuveiros, torneiras e vasos sanitários funcionam com baixo fluxo de água, para evitar o desperdício. Energia Conta com aquecimento solar para a água, todos os equipamentos eletroeletrônicos tem selo Procel (consome menos energia) e cada ala do hotel tem sistema próprio de controles. Os hóspedes são alocados por área, o que otimiza o uso da energia nos corredores, por exemplo. Ainda assim, há sensores de presença nas áreas de circulação e lâmpadas fluorescentes, em vez de incandescentes. Na área central, a luz não raramente é ligada. O projeto arquitetônico aproveita a iluminação natural, com paredes envidraçadas e ambientes abertos e bem-ventilados, dispensando a luz artificial e o ar-condicionado Natureza Reaproveitamos o lixo orgânico como adubo – utilizamos para isso a composteira para depósito e processamento, utilizado na jardinagem. O hotel está resgatando o plantio da árvore Cambará, que nome ao hotel e a cidade, e hoje pouco presente na região devido ao busca intensiva da madeira pela indústria local, há cerca de 30 anos, o que devastou florestas nativas. Já foram cultivadas mais de 2 mil mudas de árvores e arbustos nativos Renda local Os objetos que decoram os ambientes, entre eles tapetes, rodapés, rodaforros, móveis, são feitos com material reciclado e todas as aquisições são preferencialmente de indústrias da cidade e da região. A comunidade tem prioridade na contratação e é feito treinamento dos moradores das redondezas para a área do turismo, além de patrocínio de projetos sociais no entorno e incentivo para que os hóspedes a interajam com tais iniciativas e levem para casa a produção de pequenos agricultores. – Jornal do Comércio

(http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/02/economia/547718-hotel-gaucho-e-referencia-em-sustentabilidade.html)

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