Aveiro/ Tribunal: Três arguidos respondem por acidente de trabalho mortal

O administrador espanhol de uma empresa fornecedora de ferro, um construtor civil e o dono de uma obra começaram a ser julgados por infração de regras de segurança e de construção, agravados pelo resultado.

A viúva de um motorista profissional residente em Gaia que morreu vítima de acidente de trabalho em 2012 na Murtosa entregou um pedido de indemnização civil de 300 mil euros, quantia ainda sujeita a arbitragem judicial atendendo a valores já pagos, nomeadamente pelo seguro.

O falecido, que deixou uma filha deficiente, não sobreviveu às lesões sofridas depois de se desequilibrar e cair do atrelado do camião quando, fazendo uso de uma alavanca, procedia à descarga manual de atados de ferro com peso de duas toneladas, que eram destinados à obra de ampliação de uma vivenda.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), o empregador, responsável pelo transporte, bem como o construtor civil, não zelaram por medidas ou meios de proteção adequados à tarefa.

O administrador da empresa fornecedora de ferro, para quem o falecido trabalhava, disse esta segunda-feira ao tribunal desconhecer como os factos ocorreram, garantindo que era dada a formação legalmente exigida.

Quanto ao construtor civil, garantiu que “não orientou a descarga”, limitando-se a indicar o local. Só deu conta do acidente pelos gritos do motorista, que encontrou caído e com os braços presos ao ferro.

O arguido adiantou que a encomenda chegou mais cedo que esperava, sendo que a obra ainda não tinha sequer começado.

Já o dono da obra confirmou que aceitara a pedido de um engenheiro que acompanhava “a logística” do construtor civil para ser responsável pela segurança, embora não tivesse formação na área.

O mecânico de automóveis, hoje reformado, confirmou que assinou um documento a aceitar ser o coordenador a partir de 4 de janeiro, embora, de facto, apenas tivesse iniciado a tarefa depois do acidente. “Confiei e assinei”, assumiu, quando questionado por uma juíza sobre tal facto poder “cobrir uma falta de responsabilidade” do construtor civil.

 

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